Alfaçe Vs. Bife (faça as contas)
A fim de satisfazer a dieta carnívora da humanidade, são executados em todo o mundo aproximadamente 57 bilhões de animais anualmente. Além disso, o número de carnívoros tende a aumentar, conforme o assim-chamado terceiro mundo melhora progressivamente suas condições de vida e é atraído para a idolatria da alimentação carnívora como sinal de prestígio ou condição social superior.
Números gigantes como esses 57 bilhões são difíceis de compreender na sua grandeza prática, por isso podemos lembrar que isso equivale a aproximadamente 6 milhões de animais abatidos por hora, ou aproximadamente 1.800 animais abatidos por segundo.
É claro que qualquer anti-vegetariano podia vir com números astronômicos muito maiores, referentes por exemplo à quantidade astronômica de cenouras, alfaces ou pepinos consumidos por segundo em todo o mundo… Mas o que eu desejava abordar aqui hoje não é o “volume” da matança global de animais para consumo, nem os méritos da alimentação vegetariana. Gostaria de comentar certo fenômeno que acompanha há séculos a cultura alimentar carnívora da civilização deste planeta, mas que raramente é mencionado.
Podíamos dizer a respeito dos consumidores dos tais 57 bilhões de animais, que eles sofrem do seguinte sindroma psico-patológico: praticamente nenhum carnívoro (não importa seu nível de aculturamento, inteligência ou estatuto social) tem a coragem, e muito menos o prazer, de assistir à fase de preparação dos materiais para as suas refeições! E a simples idéia de ter que fazer isso pessoalmente, é uma coisa profundamente aversiva, que em muita gente pode causar até mesmo uma sensação de nojo ou vômito.
Albert Schweitzer (Prêmio Nobel da Paz) formulou uma vez uma curtíssima admoestação moral para os carnívoros, que também toca nesse aspecto: “Pensem de vez em quando no sofrimento que vocês evitam de ter que ver”.
Observamos assim nos consumidores carnívoros uma cisão radical entre dois sentidos de percepção – visão e degustação – levando à institucionalização de uma espécie de lei oculta que pode se expressar com poucas palavras: “Comer sim, ver não”. Esta condição de ocultação da verdade, em nome de certo gozo culinário, é algo implantado praticamente como uma doença na psique profunda das massas. A totalidade da educação, desde a idade infantil mais tenra, colabora com essa situação coletiva praticamente neurótica, sendo que toda a opinião pública, a literatura, as mídias e todos os canais de comunicação ou de expressão entre seres humanos, fazem tudo para jamais apresentar a mínima idéia visual dos procedimentos de preparação dos materiais necessários para as posteriores “delícias carnívoras”.
Um Comentario to “Alfaçe Vs. Bife (faça as contas)”
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BEATRIZ BARCELOS NONATO comentou dia 02 Aug 2012 as 4:12 pm #
EU AMO ALFAÇE ELE E GOSTOSO E MACIO E BOM O CHEIRO E INCRIVEL