100 Dias de Bicilceta em Lisboa
Quem diria que este é um nome de um blog: 100 Dias de Bicilceta em Lisboa!… Pois é no dia 1 de Janeiro de 2008, Paulo Guerra dos Santos, iniciou o ano com o projecto 100 Dias de Bicicleta em Lisboa. Este Engenheiro Civil, Projectista de Vias de Comunicação e Transportes, e investigador nestas matérias, pretendia analisar o potencial ciclável de Lisboa e apresentar medidas concretas para favorecer este meio de transporte mais eficiente e amigo do ambiente, em articulação com outros meios de transporte (transportes públicos e automóvel).
No blog que criou para dar a conhecer o seu trabalho, faz o relato das suas viagens pela cidade de Lisboa, descrevendo as dificuldades e as facilidades que vai descobrindo, estas ultimas, surpreendentemente, em maioria.
Neste projecto destaca como maiores dificuldades para quem anda de bicicleta em Lisboa os pavimentos em mau estado; a desconfiança das pessoas em geral, como por exemplo “o episódio de um porteiro numa escola que parecia não acreditar que eu era professor, uma vez que me deslocava de bicicleta”; a falta de locais para estacionar bicicletas em segurança; o excesso de carros na cidade e a circulação dos mesmos em velocidades por vezes excessivas, muito para além dos limites legais.
Por outro lado, Paulo Guerra dos Santos, confessa estar surpreendido pela facilidade em circular de bicicleta na cidade de Lisboa, destacando os seguintes aspectos:
- Facilidade com que se desloca com a bicicleta pelo metro.
- Excelente receptividade de colegas de trabalho e alunos.
- Olhar para a cidade com outros olhos, estando mais atento e civicamente activo.
- Aumento da interacção social (diariamente conhece outras pessoas, encontra na rua amigos com mais frequência e tem oportunidade para parar e conversar). A bicicleta é motivo de conversa mesmo com estranhos - é um facilitador social.
- Aumento do bem-estar físico e psicológico.
- Descoberta que existem muitas outras pessoas a utilizar diariamente a bicicleta em Lisboa.
- Maior rapidez nas deslocações.
- Poupança no combustível. Não abastece o carro desde Dezembro 2007.
- Sentimento de maior liberdade nas deslocações e na vivência da cidade.
Segundo o investigador: “É curioso como no início do projecto, não sabendo o que iria encontrar, tinha um pouco aquela ideia preconcebida de que era difícil deslocar-me pela cidade de bicicleta. Cada vez que dou ao pedal, descubro exactamente o contrário. Uma cidade lindíssima, com gente fabulosa, que afinal apenas aguarda há séculos que a tratemos com a dignidade que esta senhora de 2000 anos merece.” Acrescenta que “em Portugal, temos muitos mais dias de sol ou sem chuva, do que por exemplo na Holanda, onde milhares de pessoas vão de casa para o trabalho ou para a escola de bicicleta. Aqui em Lisboa temos óptimas condições climatéricas” - conclui.
50 dias depois de iniciar as suas pedaladas pela cidade de Lisboa, Paulo Guerra dos Santos conclui, com o apoio de vários documentos técnicos, que “Lisboa não são 7 colinas, mas sim um grande planalto. Mais de 2/3 da cidade (67.4% para ser mais exacto) tem inclinações inferiores a 10%, o que representa boas condições para pedalar diariamente.”
Com 50 dias ainda pela frente, este investigador e utilizador diário de bicicleta em Lisboa, deseja que mais pessoas tomem consciência que este é o momento perfeito para fazerem da bicicleta o seu meio de transporte diário e o momento certo para que a autarquia concretize medidas sérias e eficazes para promover deslocações de bicicleta na cidade.
fonte: 100diasdebicicletaemlisboa
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